Subindo a Serra do Condado atrás do queijo do Sr. Jayr, em Alagoa

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Neste post contamos sobre nossa chegada em Alagoa. Lá dissemos que um de nossos objetivos na cidade era poder ver de perto a produção do queijo e comentamos deste interesse com nossa anfitriã na pousada onde estávamos hospedados, Paula, proprietária da Pousada Trilhas do Ouro. Na hora ela disse: “Vá no Sr. Jayr, ele gosta de receber as pessoas”.

Sr. Jayr foi o podutor que apareceu no programa Globo Repórter do dia 13/04/18, fazendo o queijo diante das câmeras. A gente ficou meio sem saber se deveríamos ir até lá, com medo de atrapalhar o trabalho dele, afinal, é a casa dele e ele tem toda uma rotina pessoal e de trabalho: não seria invasivo demais simplesmente chegar assim do nada, na casa da pessoa? Porém um outro casal que estava hospedado na mesma pousada comentou que tinha ido no dia anterior e foram muito bem recebidos. Bem, sendo assim vamos lá, né?

E assim nos planejamos para subir a Serra do Condado em busca do sítio do Sr. Jayr. De primeira a gente se perdeu, pegou uma estrada de terra pro lado oposto: em Alagoa todas as saídas e estradinhas locais são de terra. Um morador nos informou por onde pegaríamos o caminho certo e começamos a subir a estrada correta.

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Muita estrada de terra e belos cenários das montanhas da Mantiqueira

E subimos, e subimos, e subimos…

Passamos por um tanto de estrada. Quanto mais a gente se afastava da cidade, mais as casas iam ficando mais distantes umas das outras. Enfim avistamos um moço, parado numa porteira. Perguntamos:

“Moço, por favor, onde fica o sítio do Sr. Jayr?”

“É a última casa, pode ir subindo, uma casa branca. Não tem erro”

O cenário era lindo demais! E a gente subia, subia… e nada…

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Até que chegou um ponto que a estrada começou a ficar terrível e Catarina quase que atolou. Concluímos que não daria para prosseguir e resignados, demos meia volta. Puxa vida, não achamos o sítio do Sr. Jayr…

Até que, numa propriedade, numa região mais alta, um homem começou a nos acenar, gritando: “ei, ei”. Logo o reconhecemos: de boné e barba branca, era ele em carne e osso, o Sr. Jayr do Globo Repórter. Já havíamos passado a entrada do sítio dele, é que ela fica à direita de quem sobe a estrada em meio a árvores e na época não havia qualquer placa. Quando o vi, o reconheci na hora e gritei: “É ele Léo, é ele!”

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Catarina do Sítio do Jayr, na Serra do Condado

Demos meia volta e entramos no Sítio. Fomos carinhosamente recebidos pelo Sr. Jayr, esposa e filho. A esposa, que estava cuidando da horta, foi quem nos viu, e disse: “Eu falei com o Jayr, tem um carro subindo, deve estar vindo pra cá”. E é isso mesmo, passando o sítio começa uma parte intransitável da estrada, já quase no topo da Serra do Condado e que não leva a lugar algum: dizem que vão abrir uma pousada lá, mas segundo Sr. Jayr e familiares por ora não há nada ajeitado. Ou seja: um carro passando por aquelas bandas só podia mesmo estar atrás deles.

Já era fim de tarde. Ele nos mostrou a pequena “fábrica” de queijo e os instrumentos que utiliza na produção. Tudo muito simples mesmo, rústico. Escutávamos encantados cada ensinamento seu. Sr. Jayr aprendeu o ofício com o pai e faz queijos desde os 10 anos de idade, ou seja, há mais de 50 anos. Só ali naquele pequeno pedaço de paraíso, no alto da Serra do Condado, está há mais de 30 anos.

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É muito bonito escutá-lo falar sobre seu trabalho. Quando perguntamos sobre essa coisa de ele agora ser famoso, ter o queijo conhecido, ele refletiu e falou de uma maneira muito genuína que sim, foi “reconhecido no fim da vida, né?” Orgulhoso do seu trabalho, diz que nunca teve “crise de queijo” e garante que isso é resultado do extremo esmero com que se dedica à produção. E é muito legal porque a gente sente que ele fala isso sem arrogância nenhuma, o sujeito é de uma simplicidade e humildade comoventes.

Tamanho orgulho não é a toa. Depois de conhecer a queijaria, Jayr nos convidou a tomar um café (com queijo, claro) em sua cozinha e lá ficamos um tempinho só na prosa. E  o queijo é simplesmente maravilhoso! Maravilhoso no nível MELHOR DA VIDA. Em Alagoa ele vende o queijo num único mercadinho e muitos outros vem para Belo Horizonte, onde são vendidos no Mercado Central (cobra-se aqui, na capital, mais do dobro do preço que ele vende em Alagoa). Além disso, há compradores fiéis de vários anos que o visitam regularmente na Serra do Condado e fazem compras grandes para levar a outros centros.

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O da esquerda é fresco, o da direita é a borda de um queijo com seis meses de cura: sabores surpreendentes

Reunido com a família ao redor da mesa Sr. Jayr nos contou que ficou surpreso em ter sido escolhido para o programa. “Eles vieram aqui e disseram que iam escolher alguém, até que um dia ligaram e perguntaram se poderiam vir aqui cedo, no outro dia, para gravar”. Parecia incrédulo: “Não foi fácil fazer o queijo de frente pra câmera não”.

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Queijo defumado, num processo completamente artesanal
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Sr Jayr mostrando o latão onde defuma o queijo

Como o sítio é o último da estrada e fica numa região bem alta, Sr. Jayr e família vivem mesmo bem isolados. A filha mora numa cidade maior, e diante da fama que o pai ganhou após parecer no Globo Repórter – e consequente enxurrada de turistas que sobem a serra atrás dele – ficou de fazer uma placa para colocarem na entrada da propriedade, por ora ele ia improvisar com uma pequena placa pintada à mão, mas que ainda não estava colocada. Jayr e sua família, apesar da lida diária, parecem de fato gostar muito de receber as pessoas e compartilhar sua história, verdadeiros anfitriões.

Na despedida fomos escolher nossos queijos e Sr. Jayr cobrava os mesmos R$ 25,00 a peça, valor que encontramos em várias lojinhas e mercadinhos na cidade. “Este valor tá bom, é justo, não preciso cobrar mais não, se um dia eu for aumentar vai ser um pouquinho”. A gente levou 5 queijos dele, e até hoje se arrepende de não ter trazido tudo que ele tinha lá. O queijo dele é muito fora do normal de bom. A gente fica tentando arranjar desculpa para voltar no Condado e trazer mais um montão de peça.

Foi tão bonita a experiência de dividir um café e prosear com esta família! Pessoas simples, do campo, que detém um saber incrível e que precisa ser valorizado.

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Sr. Jayr, podemos fazer uma foto com o senhor?  Ele entrou correndo em casa para pentear o cabelo e colocar o boné. 🙂

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À direita o filho, Fábio, que trabalha na produção com o pai

Fica aqui nosso registro deste lindo encontro.

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As vaquinhas no sítio da Serra do Condado, donas do leite que produz um dos melhores queijos do mundo
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A casinha branca é a “fábrica” de queijos

 

 

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