O que fazer e ver em Ouro Branco-MG

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Ouro Branco é uma cidade mineira de aproximadamente 40 mil habitantes. Próxima de Ouro Preto, cidade da qual foi distrito até o ano de 1953, a cidade faz parte da Estrada Real e guarda riquezas históricas do Brasil colonial.

Conta-se que o povoado foi fundado a partir de explorações de bandeirantes (inclusive o pioneiro teria sido do mesmo grupo de Borba Gato, explorador da região de Sabará) que seguiam pelo vale dos rios da bacia do Rio das Velhas a partir de Ouro Preto em busca de novas minas auríferas. A imponente Serra de Ouro Branco certamente foi um grande atrativo para a instalação do grupo e posterior formação da vila. O ouro ali era de tonalidade bem mais clara do que o encontrado na vizinha Ouro Preto (por isso, Ouro Branco). Ainda que a exploração não tenha sido vultuosa, o povoado se desenvolveu por ser rota natural de escoamento da produção de ouro das regiões vizinhas.

A cidade passou por vários ciclos econômicos: ouro, uva, batata e mais atualmente aço, que se iniciou com a instalação da então empresa estatal Aço Minas Gerais S.A. em 1976, atual Gerdau. Hoje é também cidade universitária: abriga um Campus da Universidade Federal de São João Del Rei, o que tem também contribuído para atrair novos moradores e visitantes à cidade.

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Ouro Branco aos pés da suntuosa Serra

A maioria dos turistas se hospedam em Ouro Branco para visitar as cidades históricas mais famosas do entorno, como Congonhas, Ouro Preto e Mariana – as hospedagens são mais baratas do que nas cidades históricas mais famosas. Acaba que muitas vezes os viajantes tomam Ouro Branco apenas como cidade dormitório e não aproveitam seus atrativos. Nós estávamos muito curiosos para saber mais sobre Ouro Branco e por isso aproveitamos um final de semana para conhecê-la e agora vamos contar aqui tudo o que vimos por lá.

 

Mas afinal, por que visitar Ouro Branco?

Além de ser uma cidade com opções de hospedagens mais em conta para quem quer visitar Congonhas (a 24kms), Ouro Preto (a 32 kms) e Mariana (a 48 kms), Ouro Branco tem também seus atrativos históricos, falamos abaixo um pouco mais de cada um deles.

Trata-se também de uma cidade rica em belezas naturais: a imponente Serra de Ouro Branco tem trilhas e cachoeiras preservadas, especialmente pela criação do Parque Estadual da Serra de Ouro Branco. A serra marca a fronteira sul da Cordilheira do Espinhaço, um grupo de serras que se estende até o Estado da Bahia, abrigando um dos mais ricos ecossistemas do mundo, os campos rupestres, de solo arenoso e pedregoso. Do alto da serra é possível avistar Ouro Branco e também cidades vizinhas, como Conselheiro Lafaiete e Congonhas.

 

Principais atrativos:

Parque Estadual da Serra de Ouro Branco

O Parque é uma unidade de conservação estadual que abrange o território da Serra de Ouro Branco. Não há estrutura de visitação, portaria ou cobrança de entrada. Placas na estrada entre Ouro Preto e Ouro Branco indicam seu início. Seguindo pela estrada de terra que vai pelo alto serra podemos parar em vários mirantes, um mais surpreendente que o outro.

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Há saídas que indicam trilhas para rios e cachoeiras, algumas com informação de esforço físico ou metragem, mas muitas sem maiores dados. Também há uma bifurcação (à direita de quem sobe a serra) por onde passa o caminho original da estrada que servia de ligação entre Ouro Preto e Ouro Branco na época da mineração, hoje Estrada Real; chegamos a tomar tal estrada (bem indicada por um marco na foto acima) por curiosidade, mas as condições da via são péssimas, não indicadas para carro baixo.

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Paramos em alguns mirantes e seguimos até a capelinha. De lá temos vista para o Lago da Soledade (formado pelos mananciais da própria Serra de Ouro Branco – é usado para abastecimento da empresa Gerdau) e um visual incrível do pôr do sol.

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A estrada, embora toda de terra, estava em boas condições na ocasião de nossa visita. (21/07/18). No hotel em que nos hospedamos a atendente comentou que tinham “dado um jeito “ nela recentemente, as condições estavam bem piores. Fato é que estávamos com Catarina (nosso carro, que é baixo) e passamos sem dificuldades. Vários outros carros de passeio estavam por lá também.

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Nós apenas paramos nos mirantes (são vários) e contemplamos o pôr do sol em área próxima à capelinha, mas ficamos com vontade de fazer as trilhas – embora eu ache que compense se informar melhor com moradores locais e/ou procurar informações mais precisas com grupos de ecoturismo, considerando a inexistência de estrutura e as poucas informações sobre elas. Quem sabe numa próxima a gente não se aventura mais por lá?

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Igreja Matriz de Santo Antônio

A Igreja é uma das mais antigas construções paroquiais mineiras representantes do Barroco. Ao que indicam registros ela é anterior ao ano de 1717, mas teve sua construção finalizada no ano de 1779.

A fachada mostra claramente a influência da obra de Aleijadinho, tão comum em várias outras igrejas mineiras – em Ouro Branco, essa obra foi feita pelo pedreiro Domingos Coelho. O forro interno tem pinturas de Mestre Ataíde. Infelizmente não a pegamos aberta.

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Capela Nossa Senhora Mãe dos Homens

Uma capela pequena e simples, registros apontam sua existência desde o ano de 1865

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Casa de Tiradentes

Conhecida também por Fazenda Carreiras, é tombada pelo IEPHA e foi local de pagamento do Quinto, (imposto da Coroa Portuguesa) e pouso dos tropeiros. Apesar de receber o nome de Casa de Tiradentes e placa afixada no marco da Estrada Real informar que a fazenda serviu de abrigo para inconfidentes, parece não existir comprovação histórica de que Tiradentes tenha passado por lá.  

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Ficamos muito felizes ao visitá-la: ao que tudo indica a casa permanece fechada e não há visitação do espaço interno, mas a área externa e fachada estão muito bem preservadas. A gente fica muito feliz ao ver um bem histórico sendo cuidado com o carinho que merece!

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A casa fica localizada às margens da antiga Estrada Real e como Ouro Branco era caminho dos tropeiros e viajantes que circulavam entre o Rio de Janeiro e Ouro Preto, muito provavelmente foi local de grande concentração de pessoas à época.

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Conjunto arquitetônico e paisagístico da Capela de Santana

Casa-sede da Fazenda Pé do Morro, localizado a quatro quilômetros da área urbana, aos pés da serra de Ouro Branco e às margens da Estrada Real. A origem do local é do século XVIII e pela importância patrimonial foi tombado pelo IEPHA em dezembro de 2009.

Tentamos visitar a Capela, mas fomos advertidos por um funcionário da Fazenda, hoje também pousada, que para fotografar há cobrança de taxa de R$ 50,00. Consideramos o valor para além de nossas expectativas e declinamos. (Como se trata de propriedade privada não tem nem o que chiar, eles cobram o que acham justo, a gente paga se justo considerar).

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Como não fotografamos, ilustramos com esta foto retirada do site www.cidadeshistoricasdeminas.com.br
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Foto: http://www.iepha.mg.gov.br. (Parte da estrutura da capela original segue preservada dentro de uma estrutura maior, construída externamente como modo de proteger o que restou da antiga capela. Hoje lá são celebrados eventos, casamentos, etc.)

 

Distrito de Itatiaia

O pequeno vijarejo fica entre as cidades de Ouro Preto e Ouro Branco e é distrito da segunda. Na MG-129 há placa indicativa da entrada para a vila.

Itatiaia é bem pequena e tem somente uma rua principal, então não tem muito erro. Praticamente tudo está por ali!

No distrito está localizada a igreja de Santo Antônio do Itatiaia, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Não chegamos a visitar a parte interna (mais por falta de tempo, cobra-se um valor modesto, R$5,00 por pessoa), mas é bem interessante observar, mesmo por fora, que a igreja fora erguida originalmente enquanto uma capelinha de taipa, estrutura que hoje forma parte posterior, onde está o altar; e depois com o desenvolvimento da região ela ganhou a estrutura maior (a nave principal) e o frontão em alvenaria, formando essa bela e grande igreja com influências do Barroco)

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O lugar é muito bonitinho: várias casas são pintadas em suas fachadas.

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A grande graça de Itatiaia é ser um refúgio, tanto para aqueles que querem passar um final de semana em contato com a natureza e longe de grandes agitações, ou também para passar um dia mais sossegado ou até mesmo para um almoço ou cerveja de fim de tarde. É um cantinho para desacelerar e ver Minas Gerais em sua essência.

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Além da igreja e do “centrinho” (se é que se pode chamar centrinho) um grande atrativo do vilarejo é a Cachoeira de Itatiaia. Para acessá-la nós estacionamos o carro na Pousada Ecorsini pagando R$ 20,00. A partir dali a trilha é sinalizada, são apenas 450 metros.

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O trecho final é um pouco mais difícil: em alguns pontos (trechos curtos) é preciso passar por toras de madeira que fazem as vezes de ponte, mas corrimões de madeira ajudam na travessia.

A primeira queda é bonita e há um pequeno poço para banho. São muitas pedras e tem que ter muita atenção.

A partir dela uma trilha permite a chegada à segunda queda, mas daí fica bem mais difícil: a trilha é íngreme demais e pelo que pudemos ver do início dela, a gente tem que subir meio que se agarrando nas raízes e galhos, imagino que a descida seja igualmente difícil. 

 

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Após o passeio na cachoeira paramos para almoço no Espaço Araucária, em Itatiaia mesmo. Comida mineira no fogão a lenha em self service, bem gostoso e com bom preço. O local tem uma vista linda para as montanhas.

 

Onde se hospedar:

Nós ficamos hospedados em Ouro Branco no Serra Palace Hotel, mas com uma pesquisa no Booking e Airbnb é possível encontrar outras opções de acomodações. Estávamos em três pessoa e pagamos R$ 210,00 a diária, num quarto triplo – preço de 21/07/18. Fizemos nossa reserva pelo site Hoteis.com (No Booking estava mais caro)

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O Hotel tem uma estrutura muito boa, os apartamentos são novos, cama confortável, bom chuveiro, gostamos bastante do quarto.

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A área externa conta com piscina com vista para a Serra e área de churrasqueira.

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O café da manhã foi excelente, super completo e farto.

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O Hotel não serve almoço, mas tem opções de jantar com cardápio bem variado e preço muito justo das 18 as 22 hs. Não podemos dizer que é um restaurante de alta gastronomia, mas pelo valor cobrado consideramos bem satisfatório.

O atendimento de todos os funcionários foi extremamente amistoso, desde a reserva (reservei pelo site hoteis.com em fiquei e dúvida se fiz corretamente, precisei ligar no hotel e fui super bem atendida) até o check-out.

O único ponto negativo da hospedagem foi a acústica: do nosso quarto ouvíamos a TV do quarto vizinho, o chuveiro na hora do banho e conversas também. O mesmo acontecia com hóspedes que passam pelo corredor: o barulho parecia dentro do quarto. Entre 23 hs e 07 hs o barulho cessa, fora deste período pode ficar complicado para quem tem sono leve. Fora isso, tudo foi ótimo!

Apesar deste ponto negativo, pelos demais aspectos positivos e pelo custo benefício ficamos bem satisfeitos com o Hotel e nos hospedaríamos novamente.

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Uma seguidora de nosso Instagram já se hospedou na pousada Ecorsini Aventura no distrito de Itatiaia e nos deu um retorno bastante positivo, mas nós mesmos só a conhecemos de passagem, pois a utilizamos somente como ponto de acesso para a Cachoeira de Itatiaia. Para mais dicas e fotos desta hospedagem dêem uma olhada no Instagram dela e no link da Pousada no Booking.

Ouro Branco faz parte da Estrada Real e junto de Congonhas, Ouro Preto e Mariana compõe o roteiro Entre Cenários da História do Circuito do Ouro. Que tal conhecê-la em seu passeio pelas cidades históricas mineiras?

Dúvidas? Escreve pra gente!

 

 

Fontes consultadas:

Site Prefeitura Municipal de Ouro Branco

Site Instituto Estrada Real 

 

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2 comentários em “O que fazer e ver em Ouro Branco-MG

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  1. Ouro Branco é sensacional, e vale a pena voltar e explorar suas belezas naturais! Na pousada citada ( Ecorsini) tem varios atrativos e o dono conhece a Serra na palma da mão. Fico feliz em ver uma reportagem falando assim da nossa cidade. Abraços!! Obs: o Lago soledade abastece a Gerdau.

    1. Oi Evandro! Nós adoramos a cidade e queremos muito voltar! Vou corrigir sobre o lago. Muito agradecidos pelo seu retorno! 🙂

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